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Ernesto Vázquez Souza

O inimigo é o inimigo

09:50 08/02/2010

Óu Galicia, Galicia boi de palla
Canta lástima tèn de ti o Gaiteiro!
O aguillon que che menten è de aceiro
E con el muita forza te asoballa.
No lombo teu zorrega, bate e malla
Fasta o máis monicreque ferrancheiro,
E calesquer podenco forasteiro
Te vafa, de vergonza sin migalla!
Agarima alleeira eses ingratos
Ou vívoras que postas ò teu peito
Co ferrete che rompen mil buratos!
Si o sangre teu refugas do teu leito,
Malas novas, madrasta de insensatos,
Dos fillos teus ò amor non tès dereito.
J.M. Pintos, A Galicia, 1962

As duas cousas mais surpreendentes daquela manhã foram que o Senhor Belpelho decidira tomar um banho de corpo e que de seguido acháramos que no algibe não ficavam muitas reservas. A seguir tudo foram carreiras e vozes pelo castelo. Depois vieram mensageiros.

Reunidos os principais na grande mesa passaram a considerar as causas da falta de auga, tão inoportunas neste momento da guerra. Chover não chovia, claro, mas era certo que o inimigo, canalha e cruel, tomara pela vez primeira a audaz disposição de cortar o abastecimento, cegando, sem dúvida, mais arriba o regato monteiro que vinha até o pé da Torre e se filtrava na rocha base.

Cousa inadmissível este agir do inimigo. E o pior foi quando a pouco do meio-dia chegaram mensageiros dos outros senhores da Beira informando de cousas tamanhas e faronejas. O inimigo já não comprava o que se produzia nas terras dos castelos, não permitia mesmo a passagem de mercadorias pelos caminhos e ainda para além de sitiar, empregava bombardas pedreiras a discrição, sem cuidar de alvejar nas bestas, nas fazendas, nem ainda nos nenos.

Desde os tempos de Fernando da Cunha e daquele Mudarra seu segundo, com os seus centos de esbirros, fora a alma, reinantes o Fernando VII e Isabel a II não se viram tais práticas assanhadas, tantas gentes de armas de fora e tais traições nos fidalgos do país. Mesmo se dizia que já passara a cutelo e forca vários rebeldes, e entre eles tomara preso o mesmíssimo Marechal Solis que levaram acorrentado para justiçar em Mondonhedo ou Carral, que não se sabia certo, com os seus.

A tal extremo chegaram as cousas, que alguns senhores – dos de velho no bando trastamarista – torciam os renartes olhos ante tais práticas de campo queimado e arrasadeira de gentes; que seica faziam perigar alguns dos seus negócios e disque até tocavam contra alguns dos seus “afilhados”.

E ainda contava o louro pajem Rojin Rojal que não havia muito se reuniram alguns dos principais em Compostela para tratar do caso, sem acordarem, como adoito, muita cousa, pois cada um ao céltico sentir andava afeito a mirar apenas pela sua paróquia.

E que lá, como agora cá, saíra a rolda de velhos contos: que se o Reino era eterno, que se estas cousas eram boas que faziam acordar do sono em que se está debruçado, que a ver se os das Irmandades iam ter razão, até se não era já hora de se passar a Portugal. Porém muitos ainda diziam que não acabavam de ver que se acontecia nem que convinha ir fazendo, que aguardariam mais consultas.

Também é certo que alguns dentre os senhores bem se lhes via que o que queriam era ver como serem do inimigo, sem deixar de ser dos nossos, é claro. Igual que outros do inimigo queriam, sem que se lhes notasse muito, continuar com os seus negócios connosco.

Finalmente uns decidiram mandar arautes para ler ao inimigo umas fortes palavras de escarnho e outros decidiram que o melhor era convocá-lo no campo neutral ante os Reis e segundo ditavam as leis maiores a reunião para exigir-lhe só paulinha papal que volvesse ao sentidinho e a consensuar a guerra.

Entanto outros, os mais afoutos, berravam qual Montenegros ou Churruchaos, que era culpa nossa por sermos uns acanhados e desleixados, que o inimigo era o inimigo, que caralho! E como corresponde fazia de inimigo.

E o certo que o inimigo faz bem o seu trabalho. Para mim - e sendo um simples escudeiro sem muito mundo - diria que somos nós que em vez de nos reunir e o combater como tal, perdemos o tempo a lembrar-lhe que segundo as leis da cavalaria devem desmontar para bater no caído em vez de lhe passarem com toda a cavalada a galope por cima.

Mudam os tempos. E se é certo o que contam, lá da FAES de Madrid, reunidos os inquisidores, mandam e vem este brutalhão, de Feijó o Moço, que não respeita as normas da guerra e emprega felonamente decretos, artilharia, besteiros e todas essas técnicas rejeitáveis de extermínio.

Afeitos como estávamos a este lento assédio civilizado e aos doces subornos e chegara este, um simples monicreque ferrancheiro, passando soberbo o Lima, de Governador e justiça maior ao Reino interferir em tudo e exigir lealdade incondicional e obediência aos Reis, língua e costumes de Castela.

Não há direito. Que crueldade! O inimigo quer nos exterminar em vez de nos sitiar amavelmente entanto comerciávamos e íamos comodamente esmorecendo. E já não nos convida nem a auga, não sendo que lhe juremos vassalagem.

Vassalagem? Ai, Galiza, boi de palha...

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Comentarios (34)

EVAZSOU #1 8/Febreiro/2010 EVAZSOU
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Por certo, o de Pintos é de 1862, colou-se-me um século, mas tanto tem, podiam mesmo ser dous que as cousas aí che andavam o mesmo...

Saúde,

Ernesto

Xarope #2 8/Febreiro/2010 Xarope
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Pois.

E tenho eu pra mim que a cousa lhes vai sair revirada ..

zarrulheiro #3 8/Febreiro/2010 zarrulheiro
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...quando a gente olhou que o estandarte do carrasco era o mesmo que o das gentes que foram levar um pouco pão ao condenado a noite anterior, alguns no largo dirigiram-se, revoltados, a estes reclamando explicações. Outros exclamavam em voz alta o inapropriado da situação e os demais calavam.

Saúde

Nambuangongo #4 8/Febreiro/2010 Nambuangongo
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...e se os que calavam ..deixassem de calar? Ai do inimigo!

Saúde e parabéns por outro magnífico artigo, Ernesto.

mirom #5 8/Febreiro/2010 mirom
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"Senhor! Os teus escudeiros e os teus mancebos foram todos mortos e também os filhos da nobreza de esta Ilha da Britânia. De ora em diante a defesa da ilha não vai por certo ser tarefa fácil."

"Owein!", disse Artur. "Chama as tuas gaivotas."
"Senhor!", respondeu Owein. "Joga o teu jogo."

E estava já aquela partida a chegar ao seu fim, quando ouviram um grande alarido de gritos de socorro de gente armada, crocitar de gaivotas e as suas asas batendo no ar; e ouviram também o arruído que armas e armaduras e homens e cavalos despedaçados fazian a cair no chão.

http://koroshiyaitchy.wordpres...

Lisboeta #6 8/Febreiro/2010 Lisboeta
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Parabéns pelo excelente texto! Lento assédio civilizado x extermínio. Parece que pretendem agora acabar rapidamente com o "problema". Isto faz-me lembrar os momentos finais da civilização índia americana. Se nada for feito da Galiza poderá ficar só a poesia do que foi, e do que podia ter sido, e o que sobrar do assalto aos recursos naturais.

Carta-resposta do Chefe Seattle à proposta de venda das terras do seu povo.

http://www.youtube...
http://www.cetesb.sp.gov.br/In...

AntonCorsario #7 8/Febreiro/2010 AntonCorsario
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Caro Lisboeta; o do chefe indio é máis falso que a palabra dun do PP:
http://odemo.blogaliza.org/201...
Máis ben era ún dos que vos chamariades castrapeiros, aínda que non pola lingoa:) senón porque parecia disposto a esmorecer. Que casualidade, era un indio do noroeste...
O inimigo é o inimigo!! a ver se todos aplicásemo-lo conto.

Xarope #8 8/Febreiro/2010 Xarope
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#7 Corsario,

e se estivesses a trabalhar -inadvertidamente- para o inimigo .. ??

http://www.zeitgeistmovie.com/

suso #9 8/Febreiro/2010 suso
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Ernesto:
Interessante, muito interessante...
Se não me engano, por volta desse mesmo tempo também os italianos ficaram espantados ao verem que castelhanos e franceses faziam a guerra, nas terras lombardas, a sério, com grande destruição e matança, e não como um jogo cortês digno de ser pintado por Botticelli...
Ora, eu penso que Feijó o Moço não quer submeter a Galiza á vasalagem de Castela, senão apenas tomar algum castelo, mesmo que apenas por um tempinho, para fazer méritos e poder retirar-se á corte de Segóvia ou Valhadolide, onde quer que mandem os seus amos, com alguma alta prebenda, se calhar Fodimalho-Mor do Reino.
P.S.
Podias comentar algo sobre a cronologia real...? i.e., Isabel II etc.

Lisboeta #10 8/Febreiro/2010 Lisboeta
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Caro AntónCorsario,

Obrigado pelo aviso, entretanto investiguei um pouco e não é tanto que seja falso, mas sim que existiram várias versões, traduções e ampliações recentes, a partir de dois discursos constantes dos Arquivos Nacionais em Washington, e dum terceiro relatado por um Dr. Henry Smith que esteve presente na altura em que os discursos foram feitos.

http://www.pantheist.net/socie...

E é claro que nem sempre a postura dos índios foi idêntica ...

http://en.wikipedia.org/wiki/B...

OBSERVADOR #11 8/Febreiro/2010 OBSERVADOR
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Preciosa escrita.

Reconhecer o inimigo onde esteve sempre é bom, por ser fácil e quanto antes o reconhecemos, antes estamos prontos para a batalha. Porém a mistura de épocas dá a sensação de o inimigo estar sempre aí, ser, portanto, imbatível... E isso desespera um pouco.

Sara_Mago #12 8/Febreiro/2010 Sara_Mago
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#11 É que o inimigo sempre estivo ai. É um inimigo "interno", embora a mitologia histórica galeguista tentou sempre "externaliza-lo" para fazer assim mais evidente o seu discurso vitimista. Mas, quanto mais estudamos a história, mais nos percatamos de que se calhar o passado da Galiza a partir do baixo medievo não era assim tão distinto do presente.

koroshiya_itchy #13 8/Febreiro/2010 koroshiya_itchy
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#7 e #8

AntonCorsario, Franco deixou tudo atado e bem atado:

http://www.pglingua.org/foros/...

Concha-Rousia #14 8/Febreiro/2010 Concha-Rousia
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Pois é, Ernesto, pois é... mesmo que triste este nosso sino de inimigos desta caste... ou descaste; eu tenho-me descoberto muitas vezes a pensar que preferia para mim o atrevimento exterminador dos Nazis do que este morrer sem descanso em mãos de serpes que nos adormecem primeiro e quando queremos perceber o que acontece já estás meio morto...
Bem falado Ernesto, esperemos que muita gente ainda te possa ouvir.

ANGR #15 8/Febreiro/2010 ANGR
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Parabéns polo artigo. Muito bom texto.

EVAZSOU #16 8/Febreiro/2010 EVAZSOU
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Obrigado,

A questão é que isto é apenas requinte de cenário e monicreques pintados a mão um pouco ao gosto napolitano, mas com fundo conceptista de galego escarnho, um Retábulo de maravilhas para educação de príncipes, onde entre tanto espelho... a perspicácia e perspectiva do leitor destaca quem é o inimigo e quem o mais inimigo.

E a cousa é que tudo parece entrudo permanente mas é que a Fernando da Cunha (mercenário e condottiero de apelido chinês, que diria Seoane) depois de o enviaram a Galiza escarmentar na acrobática cabeça do Marechel outras alheias e mais principais o mandaram para lá na Itália espantar sicilianos (era-lhe mais doada a praça e com ordenado e privilégios) de Vice-Rei.

E ele foi-se e ficaram os "nossos amigos e senhores verdadeiros" nas Torres, veraneantes nos seus paços de inverno castelhanos, entanto cá lhes perdura essa sorna com os frades e criados de velho de comerem jactanciosos o galo quando os hóspedes se vão a outras mais altas partes chamados dos reis.

E os reis, católicos sempre, já Fernandinos ou já Isabelinos, Bourbões ou Austrias (mas sempre com um aio, ou genitor trastámara na recámara genealógica) de quando em quando e especialmente sempre que os senhores se excedem na sua condição rapinheira e já as gentes se levantam, enviam legados fazerem como que ordenam um tempo - cousa que manifestamente lhe aprendem a gente com o apoio desses papeis de desculturização massiva que tão bem simboliza La voz de Galiza e confirma a Gaceta de Madrid cunhando cunhados... e até a seguinte...

Mas... e tudo... problemas que dá esse território absurdo e bretemoso, cheio de enredos por propriedades de terras, clãs, prioridades, liortas e sobervas... nem nas elites se pode um muito fiar... peste de sórdidos galegos, duro bando... as mouras ou o demo os leve nos seus castros para sempre...

Hermerico #17 8/Febreiro/2010 Hermerico
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Eu quero chamar a atençom sobre os que participavam (e participam) no asédio e que agoram saem à rua com @s asediad@s, porque acham que aquela guerra que eles chamam paz é mais acaída "e nom havia qualquer problema com a língua".

AntonCorsario #18 8/Febreiro/2010 AntonCorsario
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Eu non son lingüista, nen nobre vendido con terras na castela ou académico, máis coma ben din no primeiro parágrafo da ligazón de koroshiya_itchy, si son lusófono (penso que o termo é incorrecto pero vale).
Son o primeiro ó que se lle ponhen os cabelos coma escarpias cando oen que o galego esta a portuguesizarse ou paridas do mesmo xeito. Son o primeiro que esta a favor dunha grafia galaico-lusa. Noutros post tenho expresado a minha opinión de que non vos quito a razón... máis doeme no corazón cando vexo que maltratades - cecais inadvertidamente, caro Xarope- ós galegos de a pe que coma min só defenden a lingoa de seu; sen meterse en sarillos de grafía.
Non serei eu o que vos discuta a razón do que estades a revindicar... que pensades; qué son un fan de Villares, ou da RAG? NON!! eu só son un probe pintamonas que xa hai moitos anos, cando era unha crianza (estaba en segundo de EGB) prometinme non pasar unha aldraxe máis por falarem galego coma minha nai e a minha familia de Furelos (Melide), aldraxes que venhan de espanholistas (paleto), RAGistas (analfabeto) ou Lusistas (castrapeiro).
Moitos paus e máis dun fucinho tenho partido e máis dun desgosto tenho ganhado, pero aquí estou e namentras poida seguirei.
Agradezo a EVASZOU o seu texto de caracter militar no que me atopo a gosto (sí, son un batallinhas) porque deste xeito agardo explicarme millor... cecais os xenerais fosen uns vendidos ou contemporizadores, máis cando o INIMIGO inicia o asalto e tenta abrir brecha de nada serven os reproches, e os que realmente son afoutos e desprendidos botanse a pecha-la brecha cos seus peitos sen mirar a bandeira do "reximento" que tenhen con eles... tempo haberá para arranxar contas.
Semella que extendedes as culpas e liortas dos "xenerais" ós seus soldados, que non tiveron ocasión de escolle-lo "reximento" máis si o bando no que loitan.
Perdoade o rollo, máis como vos dixen doeme o corazón por ter loita con xente que coma vos; xente pra min moi válida e teimuda. Eu só busco a unión de tódolos bos galegos pra que ademáis de cega-lo burato, nos espallemos e corramos a paus ós VERDADEIROS INIMIGOS (os que estan fronte a nos)

P.S.: Xarope. agradezo a ligazón pero eu alemán ou inglés máis ben pouco e agradecería un resumo... Máis que nada porque se estou traballando pra o inimigo (que é a minha aspiración;)) gostariame pasarlle a minuta por cousas coma esta (entre outras moitas):
http://ocorsario.wordpress.com...
Saúdos a "tudos" dun probe pintamonas

AntonCorsario #19 8/Febreiro/2010 AntonCorsario
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"se estou a traballar(...)" queria dicir

EVAZSOU #20 8/Febreiro/2010 EVAZSOU
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#18... bem o entendo... eis a tristura e uma pequena maldade amarga do texto... desculpa se eu alguma vez ofendo a quem não devo...

Sim, não é boa cousa alvejar, muito menos tirar, para os lados, melhor sobre o inimigo, à frente de nós.

Há um Relato de Darío Xoán Cabana, Cándido Branco e o cabaleiro negro, que termina circular como este, o neno Cândido entra a servir ao Cavaleiro negro, antigo servo do Rei Garcia e agora veterano e sabido das guerras pela vida, com ele cria uma bela utopia que finalmente é destruida pelos reis e senhores, e ainda que as gentes escapam por mar para outras utopias, Cândido já maduro, sabido e infelizmente veterano se encontra sozinho, sem utopia e com apenas a armadura preta...

Vejo-me mais cavaleiro negro que já foi branco escudeiro...

luisfoz #21 8/Febreiro/2010 luisfoz
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Que bonito, meu caro, e que certeiro!

Celso #22 8/Febreiro/2010 Celso
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Bom artigo, Ernesto

Corsário, muito boa a tua Venus do Chapapote: http://ocorsario.wordpress.com...

Tranquilo, corsário (#18), que a Língua sabe onde está o verdadeiro inimigo. Ninguém o decide aqui. Tu vai-te unindo a ela ;-) , que da lusofonia passa-se facilmente à lusografia num chafariz. A sequência habitual é nh -> lh -> hifens e acentos -> j, g, ç -> ss -> ão, ões. Saúde!

AntonCorsario #23 8/Febreiro/2010 AntonCorsario
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Grazas pola comprensión...
A Venus non é minha, máis é dunha companheira; Helena, que formaba parte do "Chapapote block", o colectivo que botou o "Semanario Corsário II época" naqueles tempos (coma os de agora) de enganos. Hónranos que vos goste, vindo de xente con criterio coma vos.
Saúde e folgos na brecha

AGIL #24 8/Febreiro/2010 AGIL
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Gostei e gostei imenso e mais gostarei quanto mais vezes ler, porque o texto é na realidade multitexto ou transtexto ou sobretexto, tecido de tecidos.

Contudo, deixo de lado o lado poético e mergulho-me na insensibilidade quase racional: Quem é o inimigo? Onde é que está e não está?

Vou oferecer gratuitamente o critério a meu ver decisivo: Tomo-o do evangelho, mas "pro-fanando"-o. Lembram aquilo que transcreve Lucas (16,13) supostamente dito por Jesus o Cristo?: «Nenhum servo pode servir a dois senhores: ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de aderir a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro.»

Se somos servos da Língua, quer dizer, da Comunidade Linguística Galega ou Lusófona da Galiza, não podemos servir à Comunidade Linguística Hispanófona: Porque sem dúvida, parecendo aderir a Galega, na realidade estaremos a desprezá-la. Não podemos servir a Camunidade Lusófona subsidiados pelo dinheiro da Hispanofonia...

E já que ando evangélico, lembro aquiloutro, também do Cristo segundo Lucas (12,34): «Pois onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração.» Que eu re-leio: Segundo for o vosso tesouro, será também o vosso coração. Se o vosso tesouro cumula dinheiros "normalizadores", o vosso coração virará para o doador do dinheiro; é o "normal"...

(Conste que não estou a pensar na notícia que acabo de ler em Vieiros: «Que pague a Xunta e que pague o goberno español, esixe Ferrín.- O presidente da Real Academia pide a inclusión da institución nos orzamentos da Xunta e nos xerais do Estado. Avalía en 1,2 millóns a necesidade "para sobrevivir".» (Para "sobreviver" quem?)

OBSERVADOR #25 8/Febreiro/2010 OBSERVADOR
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AGIL, se por cima não somos servos nem escudeiros, mas cidadãos livres, até poderíamos arranjar o mundo com os nossos dinheiros!

Permiti-me que ponha isto aqui, acho que vem a conto:
http://aglp.net/images/stories...

Xarope #26 8/Febreiro/2010 Xarope
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#18 Corsario,

se temos de ir à batalha, ou ir partir os focinhos, pois melhor levarmos as melhores armas, nom é?

pd: para veres o filme nom cumpre saber alemám nem inglês, podes colocar legendagem em diversos idiomas, entre eles o nosso.

Saúdos.

AGIL #27 9/Febreiro/2010 AGIL
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Em (#25) observa OBSERVADOR e diz:

1.- «... se por cima não somos servos nem escudeiros, mas cidadãos livres,...»
COM.- Isto é o mais problemático no reino bourbónico, que Franco, o ditador militar, nos impôs como "legado" (lembrem: «lo dejo todo atado y bien atado» são as palavras, bem verdadeiras, do "profeta"...): Somos cidadãos livres, como proclamam uns e outros, ou somos apenas súbditos?
Imaginemos que somos cidadãos, livres para fazer o que democraticamente possamos fazer... (Não posso negar que alguns recantos de liberdade há no reino pós-franquista... Como também havia, menos, nos tempos da ditadura franquista...). Então...
:::
2.- «... até poderíamos arranjar o mundo com os nossos dinheiros!»
COM.- Tanto como arranjar o mundo... Podemos - e na AGLP já começamos - iniciar projetos que, se saírem bem, arrastarão outros para a frente. A ligação que OBSERVADOR coloca manifesta claramente o que digo. Num ano a AGLP, sem ajudas oficiais, tem publicado dous volumes do Boletim da ACADEMIA GALEGA DA LÍNGUA PORTUGUESA, o terceiro está disposto para ser publicado, e o Anexo I do BAGLP e ainda mais. Tudo isso em suporte papel, mas também tem publicado 1 + 3 DVDs... Etc. E sem ajuda das instituições espaÑolas nem doutras.
:::
3.- «Permiti-me que ponha isto aqui, acho que vem a conto:
http://aglp.net/images/stories.... »

pucelano #28 9/Febreiro/2010 pucelano
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Parabéns por un artigo tan ben estruturado señor Vázquez Souza

laurinha #29 9/Febreiro/2010 laurinha
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que grande senhor, e que grandes trabalhos, não sei se como dama podo ser sua vasala, mas conte comigo para a luita

parabéns polo texto

Laurinha

EVAZSOU #30 9/Febreiro/2010 EVAZSOU
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#29 não está na minha mão, mas como lhe digo à minha filha.. penso que temos por alhures uma vaga de capitã de submarinos... umas armas novas, de muita estratégia atlântica e como desenhadas para as rias galegas...

AGIL #31 10/Febreiro/2010 AGIL
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Em (#28) diz pucelano ... : Será certo? Outro pucelano por estes lares? E a escrever "galego normativo"? Sejá coerente: Se, quando escreve no seu castelhano nativo, escreve no castelhano universal e não no "pucelano normativo", por que é que não faz o mesmo com o galego e escreve em Português galego, universal?

pucelano #32 12/Febreiro/2010 pucelano
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eu escribo na norma galega da RAG, mais tamçen escribo na outra. Eu creo no reintegracionimso como futuro da lingua. Senhor AGIL, se escrevo em galego normativo é porque é no que sei escrever, no que me ensinaron e que acho tan válido como o outro. Apoio e escrevo nas duas normas. E cando escrevo en castelhano, escrevo na norma culta, pois nom é a língua própria do meu país e já que logo, seina escrever na súa norma académica, ao ser umha língua aprendida na escola. Eu moro en Valhadolid, mas nmn som castelhano, se non galego. É vostede de Valhaolid?

Sacho #33 14/Febreiro/2010 Sacho
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Bonita imagem a que menciona EVAZSOU (e cumprimentos pelo texto) sobre os capitães. Espero tarde ou cedo amostrem o nariz nas rias e devoltem de passagem às ruas vitorias e conquistas . Algo bom virà...

AGIL #34 15/Febreiro/2010 AGIL
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Em (#32) pucelano pergunta-me se sou de Valhadolid. E respondo que sou, mas que habito na Crunha.

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(A Crunha, 1970) Da Academia Galega da Língua portuguesa, Doutor em Filologia Hispânica (secção de Galego Português), especialista em história do impresso galego na etapa contemporânea. Tem focado os seus contributos arredor do movimento das Irmandades da Fala, a figura de Angel Casal e o mundo do livro galego. Trabalha como bibliotecário na Universidade de Valladolid.
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