Participarán Paulinho Moska (Brasil), Sérgio Godinho (Portugal), Sara Tavares (Cabo Verde), Waldemar Bastos (Angola) e Xabier Díaz (Galiza).
Chega a cita anual con Cantos na Maré, a semana de concertos, encontros e debates que dende as rúas de Pontevedra procura deitar ligazóns entre as culturas lusófonas do mundo, de Brasil a África, pasando por Galiza e Portugal. Cantos na Maré naceu sendo un encontro musical, aínda que ao seu redor foi fíando unha serie de actividades máis diversas, nas que tamén o audiovisual ten o seu protagonismo, e no que cada ano colle unha maior importancia o contacto entre creadores e promotores e distribuidores, co obxectivo de fortalecer a industria cultural dos países participantes. E coa intención de posibilitar a circulación de todos os artistas lusófonos polo mercado que se abre entre Pontevedra, Salvador de Baía e Luanda, en ambas as dúas beiras do Atlántico, en tres continentes e unha lingua común.
Con todo, a música, os concertos, seguen sendo o centro de Cantos, que este ano terá o seu día grande o sábado 13 de decembro. O Pazo da Cultura de Pontevedra acollerá a partir das nove da noite un concerto que xuntará, baixo a dirección artística de Uxía e Paulo Borges a Paulinho Moska, Sérgio Godinho, Sara Tavares, Waldemar Bastos e Xabier Díaz. A banda que os acompañará está formada por Jon Luz (Cavaquinho), Quiné (Batería/percusión), Joao Ferreira (Percusión), Rubén Santos (Trombón), Paulo Temeroso (Clarinete, saxo, frauta), Nortos Daiello (Baixo) e Guillermo Fernández (Guitarra). As entradas teñen un prezo entre 10 e 12 euros e poderán adquirirse a partir do 3 de decembro.
Paulinho Moska
Actor de cine e teatro, fotógrafo, músico e compositor, Moska destaca polas súas baladas pop electrónicas en liña melancólica, a través das cales ofrece unha moderna relectura da rica tradición da bossa nova. 'Tudo novo de novo', é o seu sétimo álbum como solista, unindo novamente as súas dúas grandes referencias musicais: o rock e a MPB (Música Popular Brasileira), que constitúe a súa formación. Moska identifícase co insecto cuxo nome tomou como marca artística: "Eu tamén teño unha visión ampla e voo sen un destino concreto, decidindo sobre a marcha onde vou".
Sérgio Godinho
Con 33 anos de carreira e 23 discos publicados (16 álbums de originais) Godinho é, sen dúbida, un dos artistas máis importantes na escena musical portuguesa. Godinho é ademais actor, con múltiplas participacións en filmes, pezas teatrais, series e pezas televisivas. Xa en 1971 colabora no primeiro álbum en solitario de José Mário Branco, Mudam-se os tempos mudam-se as vontades, gravando nese mesmo ano na Francia o seu propio primeiro LP en solitario: Os sobreviventes, e ao ano seguinte o segundo: Pré-histórias (1972). Ainda que constantemente censurados, estes álbuns conseguiron alcanzar a popularidade entre o público portugues no ano seguinte, tendo sido mesmo premiado pola prensa como 'Autor do ano' e Os Sobreviventes como 'Disco do ano'. Desde entón até hoxe a súa carreira continua; apesar de non obter sempre o correspondente éxito comercial, permaneceu como favorito da crítica e do público, sendo autor de algunhas das cancións mais aclamadas da historia da música portuguesa, como É terça-feira e Com um brilhozinho nos olhos.
Sara Tavares
Sara Tavares é cantante, compositora e guitarrista, naceu en Cabo Verde no ano 1978 pero creceu en Portugal. A pesar da súa xuventude xa ten tras de si unha carreira que lle ten proporcionado un lugar destacado no panorama musical portugués. Con Mi mA Bô, cantado en tres idiomas (portugués, Criollo e inglés) foi disco de ouro. No seu último traballo Sara compuxo todas as cancións ademais de tocar case todos os instrumentos neste magnifico Balançé no que logra combinar dun modo sutil e honesto as melodías contemporáneas coas súas raíces africanas. Balancê sitúa a Sara entre as mellores novas voces da world music, avalada cunha nominación aos premios World Music de BBC como mellor novo intérprete.
Waldemar Bastos
Artista de sensibilidade exquisita, Bastos é un dos cantautores africanos máis auténticos e comprometidos coa realidade social de África, a súa música é o latexo dos eu país, Angola, ao que sempre retornan nas súas cancións. Coa guerra civil sufriu represión e cadea e posteriormente exiliouse a Portugal e Brasil, onde gravou seu primeiro disco Estamos juntos, con Chico Buarque. En Portugal editou Angola, Minha Namorada, disco dedicado á memoria dos eu fillo asasinado. Hoxe como onte a lírica nostalxia deste cantante de corazón ferido ten o embruxo de ser un canto ávida, a beleza, á esperanza e á defensa dos valores pacifistas. Os seus dous últimos traballos: Pretaluz, producido por David Byrne, e Renascence son brillantes e están entre a mellor produción musical da lusofonía ratificada por centos de concertos por todo o mundo.
Xabier Díaz
Díaz deuse a coñecer no ano 2004 con Músicas de salitre (xunto co guitarrista Guillerme Fernández) e hai ao redor dun ano converteuse na voz de Berrogüetto. En canto á súa carreira musical en solitario e despois da edición no ano 2007 do segundo traballo Coplas para Icía, traballa xa (de novo con Guillerme Fernández) no que será o seu terceiro disco, A lírica do silencio, que se publicará en 2009.
Balancê, Sara Tavares
Como vi dançar no Zimbabué
Quero também contigo gingar
Uma dança nova
Mistura de Semba com Samba
De Mambo com Rumba
Tua mão na minha
E a minha na tua
Balancê ye
Balança ya
Swinga para lá
Swinga pra cá ye
Balancê ye
Balança ya
Maria José
Swing no pé
Senão chega p'ra lá ye
Somos livres para celebrar
Somos livres para nos libertar
Como crianças brincando
Crianças sorrindo
Crianças sendo crianças... ah!
Como crianças brincando
Crianças sorrindo
Crianças...
Balancê ye
Balança ya
Swinga para lá
Swinga pra cá ye
Balancê ye
Balança ya
Maria José
Swing no pé
Senão chega p'ra lá ye
Adoro quando te deixas levar assim
Fechas os olhos e danças só para mim
Uma dança tua
Mistura de não vem que não tem
Com um sorriso porém que me diz que o teu desdém
É só a manhã de alguém
Que diz que vai mas que vem
Me engana que eu gosto
Balancê ye
Balança ya
Swinga para lá
Swinga pra cá ye
Balancê ye
Balança ya
Maria José
Swing no pé
Senão chega p'ra lá ye
Balancê ye
Balança ya
Swinga para lá
Swinga pra cá ye
Balancê ye
Balança ya
Maria José
Swing no pé
Senão chega p'ra lá ye
Sérgio Godinho, O Primeiro Dia
A princípio é simples anda-se sozinho
passa-se nas ruas bem devagarinho
está-se bem no silêncio e no borborinho
bebe-se as certezas num copo de vinho
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
dá-se a volta ao medo e dá-se a volta ao mundo
diz-se do passado que está moribundo
bebe-se o alento num copo sem fundo
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
E é então que amigos nos oferecem leito
entra-se cansado e sai-se refeito
luta-se por tudo o que se leva a peito
bebe-se e come-se se alguém nos diz bom proveito
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Depois vem cansaços e o corpo fraqueja
molha-se para dentro e já pouco sobeja
pede-se o descanso por curto que seja
apagam-se duvidas num mar de cerveja
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
E enfim duma escolha faz-se um desafio
enfrenta-se a vida de fio a pavio
navega-se sem mar sem vela ou navio
bebe-se a coragem até dum copo vazio
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Entretanto o tempo fez cinza da brasa
outra maré cheia virá da maré vaza
nasce um novo dia e no braço outra asa
brinda-se aos amores com o vinho da casa
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
A velha Chica, Waldemar Bastos
Antigamente a velha Chica vendia cola e gengibre (2x)
e lá pela tarde ela lavava a roupa do patrão importante; (2x)
e nós os miúdos lá da escola perguntávamos à vóvó Chica
qual era a razão daquela pobreza, daquele nosso sofrimento. (2x)
Xé menino, não fala política, não fala política, não fala política.(2x)
Mas a velha Chica embrulhada nos pensamentos,
ela sabia, mas não dizia a razão daquele sofrimento. (2x)
Xé menino, não fala política, não fala política, não fala política. (2x)
E o tempo passou e a velha Chica, só mais velha ficou.
Ela somente fez uma kubata com tecto de zinco, com tecto de zinco. (2x)
Xé menino, não fala política, não fala política, não fala política. (2x)
Mas quem vê agora o rosto daquela senhora, daquela senhora,
já não vê as rugas do sofrimento, do sofrimento, do sofrimento! (2x)
E ela agora só diz:
“- Xé menino, posso morrer, posso morrer, já vi Angola independente!" (2x)
a versión ca Dulce Pontes é maxistral
Moitas grazas, Neo, polos textos. ¡Expléndido!
Nada a agradecer. ;)
Cá vai uma do Sérgio Godinho que menciona a Vó Chica :)
Sérgio Godinho, O namoro (letra de Fausto)
ver aqui: http://www.youtube.com/watch?v...
Mandei-lhe uma carta
em papel perfumado
e com letra bonita
dizia ela tinha
um sorriso luminoso
tão triste e gaiato
como o sol de Novembro
brincando de artista
nas acácias floridas
na fímbria do mar
Sua pele macia
era suma-uma
sua pele macias
cheirando a rosas
seus seios laranja
laranja do Loge
eu mandei-lhe essa carta
e ela disse que não
Mandei-lhe um cartão
que o amigo maninho tipografou
'por ti sofre o meu coração'
num canto 'sim'
noutro canto 'não'
e ela o canto do 'não'
dobrou
Mandei-lhe um recado
pela Zefa do sete
pedindo e rogando
de joelhos no chão
pela Sra do Cabo,
pela Sta Efigénia
me desse a ventura
do seu namoro
e ela disse que não
Mandei à Vó Chica,
quimbanda de fama
a areia da marca
que o seu pé deixou
para que fizesse um feitiço
bem forte e seguro
e dele nascesse
um amor como o meu
e o feitiço falhou
Andei barbado,
sujo e descalço
como um monangamba
procuraram por mim
não viu ai não viu ai
não viu Benjamim
e perdido me deram
no morro da Samba
Para me distrair
levaram-me ao baile
do Sr. Januário,
mas ela lá estava
num canto a rir,
contando o meu caso
às moças mais lindas
do bairro operário
Tocaram a rumba
e dancei com ela
e num passo maluco
voamos na sala
qual uma estrela
riscando o céu
e a malta gritou
'Aí Benjamim'
Olhei-a nos olhos
sorriu para mim
pedi-lhe um beijo
lá lá lá lá lá
lá lá lá lá lá
E ela disse que sim
'Lágrimas de diamante' (Paulinho Moska)
'Primeiro Día' (Sérgio Godinho)
'Balance' (Sara Tavares)
'A velha chica' (Waldemar Bastos)
'Unha volta e un poema' (Xabier Díaz)