A crise económica que estalou em 2008 a partir do colapso do sistema financeiro de EEUU afecta aos paises de maneira diferente, sendo debedora de factores institucionais e da determinação política, do nível de desenvolvimento, das estratégias empregadas para remediar o problema dos activos podres das entidades financieras ou, sobretodo, do desemprego provocado. Agora se conhece que não se producíu de igual forma na China ou Brasil, que seguiram crescendo, que em EEUU e na União Européia e de maneira desigual na República Francesa e no Estado espanhol. Dentro do Estado, Galiza sofre-a de modo diferente que Andaluzia e Catalunha e as demais CCAA mediterráneas, todas com um desemprego muito mais alto que o galego. Resulta aventurado, por outra parte, prognosticar em que medida propiciará transformações tendentes a superar o fundamentalismo de mercado, o domínio das grandes corporações e a ideologia do sistema neoliberal difundida desde o poder político estadounidense.
Sabendo do problemático que resulta abordar a questão da superação da crise, pode-se conxecturar, assim e todo, que Galiza terá um comportamento mais achegado ao da maioria dos Estados europeus que ao do Estado espanhol tomado no seu conjunto. A economia estatal tem que reduzir un desemprego que duplica o da UE por causa da caída irreversível da construção e dos servizos ligados ao turismo, entanto que o desemprego relativo galego é mui inferior ao espanhol, e a economia de Galiza tem un maior carácter exportador, chegando o valor do vendido por esta vía ao terzo do seu PIB.
Ainda estando pexada pola estatal e polas medidas políticas tomadas em Madrid, a economia galega tem uma notável relevo e independência. Sectores produtivos da Galiza destacam entre os correspondentes da Península. Passa isto com o automóvel, a confeção, a construção naval, o alumínio, a pesca, os cultivos marinhos e a conserva de peixe, a energia eléctrica, a produção láctea, a madeira, as rochas ornamentais ou a siderurgia. Fortaléceronse também as actividades referentes à informática, a electrónica, as telecomunicações ou a biotecnoloxia, arredor especialmente das faculdades e escolas técnicas superiores potenciadas ou estabelecidas nas últimas décadas, e ao mesmo tempo as tocantes à edição, a imprensa, a produção audiovisual e, em geral, à cultura.
Salienta a capacidade exportadora de múltiplas companhias, mas ligadas às principais economias européias, e para além, que as do Estado espanhol, com nomes tão representativos como Citröen, Inditex, Pescanova, Cooperativa de Armadores do Porto de Vigo, Jealsa Rianxeira, Coren, Leite Rio, Terras Gauda, Alcoa, Endesa, Cortizo, Finsa, Navantia, Barreras, Faurecia, Uro, San José, Puentes y Calzadas, Cupire, Tojeiro, Megasa, Disa Consulting, Televés ou Zeltia, no seio de uma extensa realidade partilhada por empresas medianas ou pequenas dos mesmos ou de outros sectores produtivos. Não se pode passar por alto, ademais, a tendência ao estabelecimento de filiais no exterior. Companhias galegas estão hoje presentes em muitos Estados, no espaço da União Européia ou em México, Argentina, Brasil, EEUU, China e a Indiana. Entre as CCAA, Galiza é de facto o primeiro importador e exportador a respeito de Portugal.
Grande desconhecida para os poderes políticos e mediáticos do Estado espanhol e ainda desconsiderada em parte da sociedade galega, a indústria dispõe da base necessária para situar a Galiza entre os paises mais desenvolvidos.
A sociedade galega padece ainda nos salários, nas pensões e na mesma estrutura produtiva as consequências da marxinação histórica e da maneira como se produziu a transformação das últimas décadas, que foi realizada, em especial na agricultura, de forma abrupta e penosa, com um maltrato culpável, quando se pudo fazer sem custos sociais e com melhores resultados económicos.
Mas, superada a crise e sobre aquel fundamento produtivo estará em condições de dar um singular salto económico e, depois de tantas décadas, agora também demográfico. Precisa naturalmente não só de decisões dos actores económicos e sociais, senão asemade da acção dos poderes públicos. Corresponde sobretudo ao Governo estatal, com o apoio da UE, o capítulo referente às principais infra-estruturas de comunicação, sabendo que o desenvolvimento económico da Galiza necessita com urgência da integração na rede ferroviária de alta velocidade de união com o centro da Europa, Portugal e o resto da Península e da organização unitária dos sistemas de portos e aeroportos, na consciência de que a marxinação nas vias de comunicação constituiu uma eiva decisiva para o desenvolvimento da economia desde o começo da revolução industrial no século XIX e mesmo entre os anos oitenta e noventa do século passado quando se encetou o plano de construção das auto-estradas deixando fora a Galiza, e só a Galiza.
As decisões a tomar afectam especialmente ao Governo Galego. Desde um exercício de autoestima e abandonando toda colonização política e mental sobre a realidade galega, tem o dever de acompanhar às iniciativas privadas e promover as acções públicas precisas, da proteção da preciosa natureza do país à potenciação da educação e do sistema universitário e das escolas técnicas, assegurando a existência de entidades financieras e fundos de investimento independentes ou estabelecendo novas empresas quando for necessário.
Será farto complicado convencer ao poder madrilenho de que Galiza tem uma estrutura económica e industrial rica, diferente e independente, mas devemos demandar e esperar que esta ideia inspire os propósitos e os programas dos que são ou forem elegidos para governar a nossa nação. Nisto haverá que afundar.
O que non di vostede é que gran parte desas exportacións van para Portugal, o país máis afectado pola crise despois de Grecia.
O que tampouco di é que a tasa de actividade en Galicia é penosa no contexto europeo e mesmo comparada coa da Calatunha mencionada no artigo. E a tasa de actividade é un dato tanto ou máis importante como o dato do desemprego. Ademais Galicia e forte en sectores industriais moi maduros como son a automoción, o naval, o textil, conservas, etc. cun potencial de crecimento moi baixo, que demanda man de obra moi pouco cualificada e cunhas ameazas reais e moi fortes de deslocalización a mercados máis competitivos en custos laborais.
Xa finalmente, falar de salto demográfico en relación con Catalunha ou mesmo Andaluzia vendo o crecimento nos últimos dez anos destas dúas en comparación co estancamento ou declive da galega, é un pouco de risa. Se en Galicia non baixou aínda máis a poboación foi porque fixemos e estamos a facer o excelente negocio de expulsar doutores, licenciados e diplomados a cambio de atraer a xubilados retornados, e sudamericanos, europeos do leste, magrebies, resto de africanos e asiáticos xeralmente con baixa cualificación. Ese é o magnífico negocio que estamos a facer e o magnífico futuro que lle espera ao noso país: xubilados e man de obra barata.
home, teríamos unhas empresas competitivas... sempre quedan... pero tamén teremos milleiros e milleiros de albaneis en paro, e pouco competitivos...
E unha industria clave, Citröen, francesa... asi que teremos que darnos a valer en Madrid, e mais en París.
NÃO HÁ MAIOR RATICIDA QUE PEPE RUBIANES:
http://www.youtube.com/watch?v...
PUTA ESPANHA
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
parabens pelo artigo, como tantos outros
O mesmo artigo com a ortografia castelhana:
http://www.xornal.com/opinions...
A solução não é tentar convencer a Madri, o contrário, esquecer-nos de Madri e também não fazer apenas barulho para que eles se esqueçam de nós, e andar silenciosos e firmes o nosso caminho.
Prezado Camilo,
Desde a maior das admiracións, o feito de que publiques un artigo en dous medios e con diferentes ortografías non che fai ningún favor. Denota unha certa esquizofrenia e tamén un pouco de cachondeo. Un exemplo ilustrativo de que este país é unha tolería.
Ben, o Camilo ten dúas grafías, unha para un diario, outra no outro... polo tanto... ¡é un traidor a unha delas?
Home, é un divulgador político, moi bó, que adaptáse as distintas grafías deses diarios... para que mais xente coñeza as súas ideas.
¿Traidor ao lusismo? ¿traidor ao normativismo? Divulgador...
Non comecemos a derivar o tema para onde sempre...
Esta vez si, por aí é por onde hai que ir. Discurso positivo e realista a un tempo. Nós, si podemos, digan o que digan en Madrí. O mau é que nos faltan organizacións políticas, sindicais e patronais que axuden a crer. Supoño, agardo, que todo se ande. Grazas polo ánimo, Camilo, aínda hai moitos Raimundos tomando decisións.
Camilo Nogueira Román naceu en Lavadores (Vigo) en 1936. Enxeñeiro industrial e economista, foi eurodeputado polo BNG entre os anos 1999 e 2004.